Deficiência Motora

Considera-se deficiência motora qualquer défice ou anomalia que tenha como consequências uma dificuldade, alteração e/ou a não existência de um determinado movimento considerado normal no ser humano.

As alterações dos movimentos podem ter origem em alterações dos grupos musculares, da estrutura óssea, da estrutura ósseo-articular ou em anomalias do Sistema Nervoso Centra. Podem ter um carácter definitivo (estável, isto é, que não sofre alterações com o tempo) ou evolutivo (que tem tendência a modificar-se ao longo do tempo).


Causas da Deficiência Motora

São muitas as causas das deficiências motoras e normalmente dividem-se em dois grupos fundamentais, de acordo com a sua origem:

Deficiências motoras que têm origem em lesões cerebrais;
Deficiências motoras com origem não cerebral causadas por factores externos (como por exemplo, traumatismos) ou por factores internos (como por exemplo reumatismos, tuberculose óssea, entre outras).

Deficiências motoras de origem cerebral
A paralisia cerebral pode dar origem a diferentes situações clínicas que trazem sempre muitas dificuldades para a pessoa.
Trata-se de uma alteração do movimento e da postura, que aparece no primeiro ano de vida, devido a uma lesão não progressiva (que não evolui) do cérebro.

Sabe-se que grande parte das lesões cerebrais no período pré-natal (antes do nascimento) aparecem entre os cinco e os sete meses de vida intra-uterina. No entanto, ainda não existe um conhecimento claro das suas causas. Parece ser evidente que certas infecções como a rubéola podem provocar ou favorecer o aparecimento de alterações circulatórias e de lesões vasculares.

As lesões cerebrais perinatais (período que tem início quinze dias antes do parto e se prolonga quinze dias após o nascimento da criança) que podem dar origem a paralisias cerebrais são aquelas que resultam de falta de oxigénio no cérebro (anóxias) e de hemorragias cerebrais. Estas são apenas algumas das causas no período perinatal.


Causas pós-natais
As causas mais frequentes de lesão cerebral são os traumatismos cranioencefálicos
e infecções como as meningites bacterianas e tuberculosas, entre outras.



Deficiência motora de origem não cerebral
Existem vários tipo de deficiências motoras de origem não cerebral, com causas também muito diferentes.


Deficiências motoras temporárias
As mais frequentes são aquelas que resultam de traumatismos, especialmente os cranianos. São especialmente frequentes durante a infância e a adolescência.
Na infância são sobretudo consequência de acidentes ocorridos nos períodos do recreio na escola e no trajecto casa-escola-casa. Na adolescência têm como causas principais a prática de desportos violentos e a utilização de veículos de duas rodas. As consequências são normalmente muito graves.


Apesar do traumatismo poder não dar origem a qualquer paralisia, o indivíduo pode apresentar gestos e expressão verbal lentos e descoordenados.
Acontecem muitas vezes perdas de memória e alterações no comportamento.


Deficiências motoras definitivas
Como exemplo de deficiências motoras definitivas podemos salientar as paralisias.
As paralisias podem resultar de lesões cerebrais ou de lesões da medula. As suas causas são variáveis e podem ser congénitas (que já nascem com a pessoa) ou adquiridas, por exemplo, através de traumatismos.